A 10ª Semana Começa Agora!

22 de novembro de 2017

A SEMANA nasceu em 2009 como um movimento geracional, que buscava dar mais espaço para filmes de realizadoras e realizadores que apontavam novos caminhos de linguagem e produção, mas que não encontravam naquele momento espaço que reverberasse seus trabalhos.

Este ano a SEMANA mudou seu nome, de “dos realizadores” viramos um “festival de cinema”.  Fomos motivados tanto a pontuar nossa opção por não acatar a generalização de uma língua que impõe um gênero a outro, mas também a deslocar o cinema e o festival da louvação da autoria como mote central, implícita na palavra “realizadores”. Se defender um espaço independente para esta autoria fora importante na nossa fundação há oito anos, agora, em meio a todos os embates, essa ideia parece cheirar à naftalina.

Entendemos que o cinema não deveria ser dominado por traços de estilo que nossas escolas e crítica, formadas dentro de um contexto sócio cultural sexista, elitista e racista, nos ensinaram a reconhecer. Essa mudança de título, no entanto, não
contemplou uma inquietação maior que nesses últimos dias só fez crescer: a SEMANA é mais potente se não for apenas “uma SEMANA”, ou um momento de retirada para a sala escura como exceção no tempo do mundo e na experiência da cidade. O festival que queremos é um processo contínuo de trocas, embates, construções e transformações subjetivas e sociais a ser construído ao longo de todo o ano.

A 10ª SEMANA começa a ser construída amanhã com novos princípios norteadores. A afirmação também é fruto da vivência dos últimos dias, mas, sobretudo, uma vontade anterior que se cumpriu apenas parcialmente nesta edição, ainda claramente aquém do nosso desejo.

Enquanto o Golpe Parlamentar de 2016 se aprofunda, retirando direitos que afetam decisivamente as populações pobres, negras, imigrantes, suburbanas, indígenas, LGBTQs, (…), a retomada de um Estado Democrático no Brasil passa necessariamente por um gestos poucos usuais para a elite. Se isso é novidade para nós, há quem esteja pensando adiante, em ações concretas para além dos debates.

Antes de propor, é importante que um dado esteja posto: a 10ª SEMANA permanece até o momento sem perspectiva de patrocínio. As reformulações, no entanto, começam a ser construídas desde já.

Serão revistas a composição da equipe, métodos de trabalho, distribuição na cidade, ampliação e diversificação de redes e parcerias, abertura de canais de troca e colaboração para e com pessoas e atuações coletivas e essenciais para caminharmos para frente.

Estas transformações serão formuladas em conjunto com uma diversidade de colaboradores, novos e antigos, a partir de dois princípios norteadores:

A programação da SEMANA será, a partir da próxima edição, conjugada no plural, fruto de um grupo de trabalho composto por corpos, subjetividades, olhares e experiências distintos para pensarmos juntos o festival que queremos.

-  A SEMANA buscará ampliar sua atuação temporal e geográfica, através de parcerias com iniciativas coletivas, universidades e escolas. Ao lado desses agentes já consolidados em diversos territórios da cidades, a equipe da SEMANA se dispõe não a programar sessões, mas a mediar os contatos com realizadores e produtores próximos a nós que tenham interesse de disponibilizar seus filmes. Realizadoras e realizadores que tenham tido seus filmes selecionados ou apenas inscritos nesta ou em outras edições da SEMANA serão contatados no intuito de construir um banco de obras disponíveis para estas curadorias já ativas em outros espaços da cidade.

Novas etapas do processo serão comunicadas à medida que tomarem forma.

Fica o convite para que amigas, amigos, realizadoras, realizadores e
colegas colaborem com a construção do festival daqui em diante.