Debates 9ª Semana | Cinema e Videoativismo: Imagens de Resistência (Dia 17/11)

17 de novembro de 2017

Como festival que busca não apenas exibir, mas propor reflexões sobre a produção contemporânea nacional, a programação da nossa 9ª Semana terá três debates gratuitos, que acontecerão sempre às 14h no Centro Cultural Olho da Rua (Rua Bambina, 6 – Botafogo). Hoje, 17/11, teremos nosso primeiro encontro:

_ CINEMA E VIDEOATIVISMO: IMAGENS DE RESISTÊNCIA
Disputa do imaginário. Memória social e política. Ainda tímido nos anos 1970 e 1980, o videoativismo ganhou força no cenário audiovisual brasileiro a partir dos anos 1990, como um movimento de protesto ligado à auto-representação documental e à visibilidade das minorias.

Com a revolução digital (amplo consumo de câmeras e celulares, fácil acesso aos softwares, equipes reduzidas) e o surgimento das redes sociais (ferramentas de difusão de conteúdo, mobilização e quebra do monopólio da informação), o videoativismo nada contra a corrente da apatia social que vivemos – mesmo diante da crise política-econômica-cultural-moral -, potencializando a resistência artística e recriando o espaço de reflexão no audiovisual. Não é só uma questão de produção, mas de visionamento. Antes, dependíamos das grandes corporações de comunicação e das grandes salas de cinema.

Atualmente, o videoativismo se alimenta do espetáculo das ruas e da denúncia social levada a um público que até então estava carente, obrigados a consumir a mídia tradicional que, por sua vez, também sofreu um impacto grande, por perderem uma parcela grande da audiência na disputa ideológica e das narrativas que circulam diariamente na internet.

O objetivo deste debate, portanto, é refletir sobre as desviantes formas de se contar a história e pensar as diferentes camadas da criação audiovisual, sua distribuição e exibição fora dos espaços “consagrados”, sua produção coletiva, a construção de redes e espaços potenciais para as trocas e a disputa de narrativas com a até então mídia hegemônica.

Mesa composta por:
Fernando Salinas idealizou a Grito Filmes, uma iniciativa de produção videoativista para artistas periféricos e de cultura marginal com mais de 500 vídeos produzidos em 2 anos e canais nas redes sociais com mais de 200mil seguidores. É jornalista e integra os coletivos Mariachi e MIC, também dirigiu o curta O Grito da literatura e poesia marginal.

Julia Murat é formada em design gráfico e roteiro, tem uma longa experiência como assistente de direção, assistente de câmera, e montagem. Editou filmes como Maré, nossa história de amor, de Lucia Murat e Os dias com ele, de Maria Clara Escobar. Como diretora realizou, em conjunto com Leo Bittencourt, o documentário Dia dos pais, os longas de ficção Histórias que só existem quando lembradas e Pendular (Prêmio FIPRESCI nos festivais de Berlim e Uruguai, 2017).

Ludmila Curi, dirigiu e produziu oito documentários e três curtas de ficção. Entre eles estão Proibidão, vencedor do Prêmio Visão Social no Festival Entretodos; e Doutor Magarinos, advogado do morro, vencedor de melhor documentário no FestCineAmazônia e do prêmio Favela Ontem, no Cine Favela Festival. Atualmente escreve o roteiro de ficção – O dia que o morro desceu – contemplado no Fundo Setorial do Audiovisual; e finaliza o longa documental Maria Prestes, sobre a companheira de Luiz Carlos Prestes.

Núcleo Audiovisual Favela é uma produtora de audiovisual favelada, cria do Complexo da Maré, que vê audiovisual e a comunicação como arma. Um canal de produção independente de documentários e ficção com o objetivo de empoderar os moradores a contarem suas próprias histórias.

Natasha Neri é jornalista, mestre em antropologia, ativista, cineasta e pesquisadora na área de Segurança Pública, Justiça Criminal e Direitos Humanos. Participou como midiativista do Coletivo Vinhetando e do Atelier de Dissidências Criativas da Casa Nuvem. Dirige o documentário Auto de Resistência, ao lado de Lula Carvalho, sobre homicídios praticados pela polícia no RJ. É apoiadora da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência e participa da Frente pelo Desencarceramento do Rio de Janeiro.

Mediação: Heraldo HB
É animador cultural, educador popular e realizador.
Atua com cineclubismo e produção audiovisual através do Cineclube Mate Com Angu, na Baixada e no Norte Fluminense. É editor do site Lurdinha.Org, integrante do Gomeia Galpão Criativo, com experiência em diversos projetos culturais nas áreas de cinema, literatura e comunicação. Trabalhou com rádio livre, pré-vestibular comunitário e comunicação alternativa. Desde 2007 dinamiza oficinas no campo da Educação Audiovisual Popular.

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DEMAIS DEBATES:

A Igualdade é Branca: Cinema, Raça e Poder (sábado, 18/11)
_ confirme presença!

Periferia, Negritude e Experimentação no Cinema do Séc. XXI (segunda, 20/11)
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