Debates 9ª Semana | A Igualdade é Branca: Cinema, Raça e Poder (Dia 18/11)

18 de novembro de 2017

Como festival que busca não apenas exibir, mas propor reflexões sobre a produção contemporânea nacional, a programação na nossa 9ª Semana – Festival de Cinema terá três debates gratuitos, que acontecerão no Centro Cultural Olho da Rua (Rua Bambina, 6 – Botafogo). Um deles aconteceu ontem, sexta (17/11), e o segundo acontecerá hoje (18/11).

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AVISO: Como nosso espaço é pequeno e os interessados, aparentemente, são muitos, decidimos adotar um sistema de senhas, que serão distribuídas por ordem de chegada a partir de 13h30. Para os que não conseguirem entrar ou não puderem ir, o debate será transmitido ao vivo via facebook da Semana e disponibilizado posteriormente em video.
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_ A IGUALDADE É BRANCA: CINEMA, RAÇA E PODER
A mesa tem como objetivo primordial tirar a experiência racial branca da invisibilidade, portanto da normalidade. No cinema como em outros campos, só os corpos não brancos costumam ser marcados por uma idéia de “racialidade”. O horizonte aqui é produzir avanços ao “nomear a norma”, dar contornos claros a esta experiência, numa espécie de whitenography, como afirma Michelle Matiuzzi.

A idéia de chamar pessoas marcáveis como brancas vem também da observação da constante reatualização da divisão histórica do trabalho onde os corpos negros só são chamados a falar quando sua fala se circunscreve à marcação de raça. Queremos criar um ambiente onde o trabalho branco antirracista, aqui ligado ao cinema, possa ser pensado, mapeado, visibilizado. O racismo, como afirma Grada Kilomba, é um problema dos brancos afinal. Que os não brancos tenham que resolvê-lo constitui uma dupla exploração: contra isso esta mesa deseja atuar.

Assumindo a ambigüidade de recolocar corpos brancos numa interface de visibilidade, deseja-se aqui que o trabalho político dessas pessoas deve, necessariamente, operar conforme um certo programa negativo, em que “desaprender, desfazer, calar e boicotar deixam de ser mecanismos acionados contra pessoas negras e dissidentes em geral para converter-se numa espécie de ética autodestrutiva da qual o trabalho de aliança branca depende”, como afirma Jota Mombaça.

Afinal, um programa branco antirracista que não passe por estratégias paternalistas de manutenção do poder como, por exemplo, a figura retórica do “dar a voz”.

Como afinal o “ser branco” produz um modo de circulação e acesso dentro do campo do cinema e dos festivais? Como esse marcador atuou nos ambientes de cinema, sets e em seus trajetos em relação a este circuito? Como as idéia de “igualdade’, ”pluralidade” e uma demanda de “união” atuam como disfarces para manutenção de estruturas de privilégio? Estas são algumas das perguntas básicas que constituem esta proposição.

*Leituras sugeridas

https://www.cartacapital.com.br/politica/201co-racismo-e-uma-problematica-branca201d-uma-conversa-com-grada-kilomba

http://libjournal.uncg.edu/ijcp/article/download/249/116

http://www.buala.org/pt/mukanda/a-coisa-ta-branca

Com Bruno Safadi, Daniel Queiroz, Felippe Mussel e Pedro Freire.

Mediação: Juliano Gomes

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DEMAIS DEBATES:

Periferia, Negritude e Experimentação no Cinema do Séc. XXI (segunda, 20/11)
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