Debate: As mulheres e as funções técnicas

ESTAÇÃO NET BOTAFOGO  SALA DE CURSOS
DOMINGO, 25 às 15h
Com: Laura Zimermmann, Maria Muricy, Marina D’avila
Mediação: Anne Santos

O que há de feminino no fazer cinema? Mais especificamente, especificamente o que há de feminino em desempenhar funções técnicas? Quais relações são produzidas entre as mulheres, entre elas e a equipe, entre elas e as personagens? Quais são os desafios enfrentados pelas técnicas de som, fotógrafas, diretoras, roteiristas e produtoras no cinema brasileiro?

Mulher é luta! É justamente dessa premissa que são construídos novos espaços, trajetórias e subjetividades. Reinvenção e resistência tatuam corpos lançando-os na constante construção do contexto político, social e artístico. Da força fêmea, que habita todas que se tornam mulher, emergem ações em oposição à exploração, silenciamento e opressão com que a sociedade ainda insiste em enquadrar as mulheres. De tal pretexto, criado para determinar a condição feminina, deriva o fato de que os homens, ao longo da história da humanidade, monopolizaram as profissões mais valorizadas – cabendo às mulheres os afazeres domésticos, a dependência econômica e o cerceamento de suas liberdades. Entretanto, é a partir do resultado de uma história – da civilização e da vida de cada uma – que emerge a feminilidade (e não oriunda do dado natural, justificadas pelas características biológicas e psicológicas, conforme nos foi imposto). É na dimensão relacional – para além da obsolescência dicotômica corpo-mente, indivíduo-sociedade, macho-fêmea – que a mulher sobrevive e reescreve narrativas-imagens-sons cotidianamente através de sua verve de luta. É partir destas reflexões que abrimos o debate “Mulheres em Funções Técnicas no Cinema”.

Por Anne Santos*

* Agradecimento especial à Chantal Akerman, Simone de Beauvoir, Clarice Lispector, Juçara Marçal, Carla Maia, Anele Rodrigues, Patrícia Froes, Camila Vieira, Alessandra Castaneda, Rose Santos e Alice Sanna pela inspiração-contribuição na reflexão deste breve texto.