Resultado

É com enorme alegria que anunciamos a seleção mais difícil já feita pela Semana, o grupo que fará parte da nossa primeira Formação Curatorial. Foram 1520 candidates de mais de 300 municípios, compondo um conjunto extremamente diverso em trajetórias, experiências, bagagens e expectativas. Em comum às inscrições, a crença na potência do cinema, do audiovisual e da arte como instrumentos de crescimento pessoal e transformação coletiva. Frente a tamanha riqueza, conseguimos rearranjar o projeto internamente e dobrar o número de 5 para 10 participantes. Mas, ainda assim, foi tarefa árdua chegar a esse limitado grupo, num trabalho colaborativo e horizontal de grande responsabilidade e engrandecimento para todos nós participantes. Nesses tempos sombrios, conhecer tanta gente talentosa e potente de tantos lugares do Brasil serviu para renovarmos a esperança e que podemos vencer o ódio e trabalhar juntes pela reconstrução do país através da cultura e da arte. Acreditamos que esse grupo será multiplicador dos conhecimentos e das informações que a formação curatorial proporcionará, o que pode ampliar o alcance da iniciativa e de certa forma driblar a limitação do número de participantes. Este foi o norte da nossa seleção, pensar em curadores como agentes ligados a territórios e a atividade curatorial como ato afirmativo, de partilha de sensibilidades e produção de conexões entre pessoas e a arte. Mudança. Para abalar as estruturas limitantes e construir novas bases. O processo será de troca de conhecimentos e experiências, passando longe de uma transmissão hierarquizada de saberes. Temos certeza que aprenderemos muito.

10 integrantes da Formação curatorial

Anti Ribeiro (Recife, PE)

Estudante de Cinema e Audiovisual pela UFPE. O processo acadêmico desencadeou a sua pesquisa acerca das potências fabulatórias da ficção na experimentação de experiências que suspendem a colonialidade efemeramente, na fenda temporal que se cria em contato com a obra. Da pesquisa, propõe espaços educativos interdisciplinares acerca da ficção: Primeiro “Afroficção”, curso focado na análise de um conjunto curatorial de obras propostas por idealizadores racializades como forma de, na ficção e somente nela, dar fim à racialização. O curso já aconteceu presencialmente na “II Mostra Negritude Infinita” (CE), “Mostra Macambira” (RN), “MOV” (PE) e “Semana do Audiovisual Negro” (PE). Durante a pandemia, seguiu em 4 ciclos online e independentes, além de ter sido contemplados pelo SESCPE e apresentado pela instituição como um curso online. Em segundo, num movimento mais recente (inaugurado em 2021), o curso “Ficção Como Arma de Guerra” é um exercício poético-científico que busca possibilidades através de estudos sobre o sonho, a fuga e o deboche. Anti é curadora do “Recifest – Festival da Diversidade Sexual e de Gênero” (PE) e da “Mostra Macambira – Festival de Realizadoras” (RN). É co-fundadora da SCAPA, coletivo que busca criar plataformas de troca entre mentes racializadas. Dentro do projeto, apresenta o programa de webradio Contracor, junto de Libra e Biarritzzz. Dirigiu e roteirizou o filme “O Fio” (2019), um laboratório para estudantes negres e indígenas de Cinema e Audiovisual da UFPE. Na produção sonora, compôs trilha sonora original para o filme 2021: LETTER FOR THE PRETA READER OF THE END OF THE TIMES, de Michelle Mattiuzzi e Jota Mombaça, que estará disponível em breve; participou também realizando um remix para o projeto EU NÃO SOU AFROFUTURISTA, de Biarritzzz, álbum web-specific incentivado pela plataforma Pivô Satélite. Anti hoje desenvolve roteiro de série de TV intitulado A Mão, projeto aprovado pelo 13° Funcultura Audiovisual.

“Penso que é crucial, hoje, falar de um processo de curadoria comprometido em elaborar canais onde seja possível suspender as regras desta realidade. E aqui falo da colonialidade porque esta é a guerra que vivemos antes, agora e daqui pra frente.”

Caique Mota Cavalcante (Morro do Fallet – Fogueteiro, RJ)

Graduação em História da Arte Universidade Federal do Rio de Janeiro 2018-2022, Laboratório Geru Maã (IFCS-UFRJ 2019.1), Pesquisa acadêmica em arte e estética africana Curso Arte, Ação e Pensamentos Anticoloniais (MAR-2019.2). Pensar estratégias de luta e superação à colonialiedade Escrita Afrofuturista e Cyberperiferica (UNIperiferias – IMJA 2019.1), Produção de roteiro audiovisual Laboratório Experimental dos Sentidos (Umacine – 2020.2), curso ministrado e oferecido pela cineasta carioca Úrsula Marini, tendo como proposta estimular os participantes, a partir de suas memórias, desenvolver um processo próprio e subjetivo de criação. Oficina de preservação audiovisual: Memórias Pretas em Movimento (Instituto Moreira Salles – 2020.2), Cineclube Cinema Negro (Galpão Bela Maré – 2019.2), onde propôs debates sobre a produção negra no audiovisual Bienal de Artes da Escola de Belas Artes (UFRJ 2019.2). Críticas publicadas no catálogo da exposição Lanterna Mágica (Arquivo Nacional 2019.2). Desenvolvimento de roteiro fílmico com imagens de arquivo Programa de Capacitação em mídias digitais para produção audiovisual (Escola de Cinema Darcy Ribeiro). Curadorias em Perspectivas (Instituto Tomie Ohtake 2020.2). Organização de um debate sobre a história da curadoria e suas transformações, com foco em práticas e abordagens curatoriais outras, que fujam as noções hegemônicas. Entreolhares universitário (Itaú Cultural 2020.2), abordando diferentes aspectos do campo das artes visuais.

“Cinema e Curadoria se encontram na medida em que ambos historicamente negam espaço para corpos não-brancos e não-cisgeneros, desse modo, minha intenção é justamente extrapolar a configuração desses muros, friccionando conceitos, abandonando práticas (…)” processo curatorial”

Fran Nascimento (Sobral, CE)

Atriz, poeta, social media e produtora cultural de Sobral, CE. Preta, periférica, gorda e feminista. É uma das idealizadoras, organizadora e curadora do “Cine Percepções” desde 2018. Em 2020, organizou a versão virtual do “Cine” na plataforma Twitch junto com Thamires Coimbra. Organiza o “Cine Piauí” na calçada de sua casa desde 2019. Integra a rede “Ciclo-CE” (Cineclubes Organizados Do Ceará). É idealizadora e produtora geral do “Festival Quarentena”. Também atuou na curadoria das edições virtuais dos “Festivais Invasão Domiciliar” que ocorreram em 2020. Atuou no filme “Cidade Relativa” produzido pelo Coletivo Câmera da Peste. Trabalhou como assistente de produção do videoclipe “É no Mar”, da cantora Simone Sousa. Também é idealizadora e organizadora do “Slam da Quentura” e “Slam Ceará”, junto ao “Coletivo Fora da Métrica”. Algumas de suas poesias foram publicadas nos livros “A Poesia Falada Invade a Cena em Sobral-CE” (2019), no qual também é organizadora e em “Rio Acima – Vozes do Processos de Das Dores 38” (2019), uma obra do “Coletivo Toca da Matraca”.

“(…) sou do interior dos interiores do Ceará, ou seja, da periferia da periferia da periferia da periferia do Brasil. Sendo assim, muitas vezes as oportunidades não chegam aqui ou tal hora nem chegamos a saber e isso é limitante… Os espaços de decisões são políticos.”

Isabella Oliveira Tavares de Sena (Austin, RJ)

Moradora do bairro de Austin, localizado na cidade de Nova Iguaçu. Bella Tavares tem 26 anos e atua no movimento cineclubista na Baixada Fluminense desde 2012 a partir de estudos e oficinas na Escola Livre de Cinema, produz filmes em seu território, estuda História na UFRRJ – Campus de Nova Iguaçu, lecionou arte educação no projeto Horário Integral pela Secretaria de Educação Iguaçuana e leciona cinema no projeto Casa da Inovação. Afirma que sua formação primeira vem das ruas com o Cineclube Xuxu Comxis o qual segue presente até hoje. Destaca que a arte de rua e a Escola Livre de Cinema refletem na sua formação e caminhada profissional, sua pesquisa na UFRRJ fala sobre a importância do letramento audiovisual na Baixada Fluminense por meio do projeto Casa da Inovação em conexão com movimentos anteriores. Segue com o intuito de partilhar com a comunidade o poder das artes através da educação e das ações culturais, além de expressar em sua comunicação o valor da memória para construção de novas narrativas. Bella possui também um projeto artístico visual em parceria com Duda Rodrigues chamado A cor de nós. E também o Terra Isa Iguassu que é um projeto em família voltado para construção de terrários e cuidado da terra.

“Curadoria e tecer junto e dar vida as ideias, ser coletivo.”

John Brendon Silva Muniz Apurinã (Lábrea, AM)

Ativista da causa indígena, artista visual, liderança jovem indígena, tutor no projeto “Vozes do Purus”, responsável para registrar em áudio e vídeo a cultura indígena no Rio Purus. Técnico em administração e informática avançada. Palestrante contra o uso e consumo de bebidas e drogas, trabalho voluntário feito nas escolas do município de Lábrea no sul do Amazonas. Através da articulação cultural, movimenta 17 diferentes povos indígenas, dentre eles um de recente contato e dois completamente isolados e sem contato.

“Infelizmente vejo a nossa cultura sofrendo genocídio a cada dia que passa, o perigo que estamos correndo de perder totalmente a cultura indígena no Brasil, por este motivo passei a filmar e documentar as culturas indígenas, particularmente aqui no Purus”

Rayane de Almeida Penha (Macapá, AP)

Jornalista e realizadora audiovisual amapaense, é uma das idealizadoras e realizadora do “Cine Catraia” projeto de cineclube itinerante no arquipélago do Bailique/AP. Diretora e roteirista do curta documental “Carta sobre o nosso lugar mulheres do Vila Nova” para o Canal Futura em 2017 e do curta “Utopia” vencedor do edital de audiovisual amapaense em 2018. Assistente de roteiro e de pesquisa cinematográfica de duas séries documentais do núcleo criativo da produtora Visionária Filmes em Belém do Pará. Proprietária da produtora Catraia, sócia representante da associação cultural Gira Mundo, coordenadora de comunicação do coletivo Utopia Negra Amapaense e representante do audiovisual no conselho de cultura municipal.

“ (…) aprender e poder repassar esse conhecimento aqui no meu estado e também aplica-lo dentro dos projetos que já componho. Temos muitas dificuldades de ter acesso a formação no cinema e nas áreas de cultura em geral no Amapá, é bastante precário.”

Rosy Dayane do Nascimento Costa (Lagoa Nova, RN)

Bacharel em Comunicação Social – Audiovisual (UFRN). Atua como cineasta, produtore, pesquisadore e escritore potiguar. Constrói o coletivo de cinema negro Mulungu Audiovisual (RN). Produz o Sarau Preticência (RN). Participou da equipe de curadoria do Festival Urbanocine (2020). Coordenou a produção e integrou a equipe de curadoria da Mostra Macambira (FIC 2018). Coroteirizou o curta-metragem “Em Reforma” (Caboré Audiovisual, 2019). Dirigiu e roteirizou os curtas “Asfixia” (70 Olhares Sobre Direitos Humanos, 2020) e “Te Guardo no Bolso da Saudade” (Mulungu Audiovisual), em fase de pós-produção. Realizou o Circuito Universitário de Cinema (Instituto Caixa Seguradora) e a Mostra Censura Nunca Mais (Movimenta – Cineclubes e organizações populares do Brasil). É autore de Desvio (Editora Nua, 2018), seu primeiro livro de contos. Integra as antologias Várias Cabeças – Vozes da Periferia (Projeto Literafro, 2019), Onívora (Sarau das Minas Natal, 2019), Blackout (Munganga Edições, 2018) e CidadElas (Sebo Vermelho, 2017). Publicou de forma independente as zines Soul Cactos (2017) e Vômito dos meus excessos (2016).

“Sou movido pelo interesse em somar nas rupturas do cinema nos seus moldes coloniais tal como o conhecemos; pela disputa de imaginários através da intervenção corporal e afetiva de corpas dissidentes que propõem outras possibilidades imagéticas e políticas (…)”

Sandro Garcia (Belford Roxo, RJ)

Cineasta Belforroxense, idealizador e fundador do Coletivo BaixadaCine e do Cineclube Velho Brejo, ambos atuantes na Baixada Fluminense, tendo origem e foco em Belford Roxo. Assinatura na Direção e/ou Roteiro dos curtas: “Cor Viciada” (Selecionado pro Filmaê Brasília), “Cidade do Amor” (Vencedor do festival Mate com Angu – Baixada1Minuto), “A Arte da Baixada” (Web Série), “Rádio Perifa” (Melhor Atriz na MLM em Salvador), “L.G.BAIXADA.T” (Lab Curta), “O Desejo é um Tempo Parado” (Melhor ficção no festival CineFone), “Buraco” (70 Olhares). Idealizador e mediador da ‘’Oficina Cinema de Periferia’’ que tem foco na formação de novos cineastas residentes de periferias. Passagens e formação pela Oficina de Roteiro Mate com Angu, Audiovisual no Sesc, Curso de cinema ‘’Periferia da Imagem’’ pela Caixa Cultural. Foco de atuação nas áreas de Direção, Roteiro, Arte-educação, Edição e Produção Cultural.

“ (…) junto com meus semelhantes conseguimos fazer alguns movimentos que me fazem acreditar que essa democratização não é utópica, mas muitas das vezes uma questão de políticas públicas.”

Sumé Aguiar (Salvador, BA)

Estudante de Cinema Audiovisual (UFF) e artista. Direção e Roteiro, filme “ O Casulo”, na exposição “Amostra Grátis” no Oi Futuro Ipanema (2015) Direção e Roteiro, filme “Indícios”, na exposição “Marginal” no Oi Futuro Ipanema (2016) Direção do filme “Escritas ao entorno da carne” em exibição no projeto “Olhares sobre agora” da Fábrica de imagens em parceria com o Observatório de favelas (2020) e exposto na Galeria Lux Moving Image em Londres (2021) Performance no filme “Ciclo 1” realizado pela Galeria Refresco, exibido no MIRA2020 Festival na Art Rio e no Encontros de espaços Independentes na Art Rio (2020) Série fotográfica “Memória demarcada” para a Maratona Fotográfica no Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte (2020) Residência artística “ARREBATRÁ” no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica (2019-2020) Residência artística “Culto à Corpa” com Anis Yaguar na Galeria Refresco (2020) Exposição “Após o terceiro dia” na Caixa Preta (2020).

“Compor um grupo de curadoria, enquanto uma pessoa trans e indígena em contexto urbano, é trazer uma percepção do cinema de acordo com os estímulos diretos que a minha corporalidade desperta (…)”

Thiago da Rocha Santos (Casa Nova, BA)

Produtor cultural e agricultor oriundo da comunidade fundo de pasto Melancia, em Casa Nova (BA). Participou das gravações da Série de Documentários “Natureza Forte”, em exibição no Canal Futura/Fundação Roberto Marinho e protagonizou o episódio 07 “Sustentabilidade Jovem”. Foi assistente de produção do Documentário “Guerra do Pau de Colher”, gravado em Casa Nova-BA pela produtora WW Filmes. É escritor, fotógrafo e poeta do sertão, exaltando a caatinga. Formou-se na Escola da Família Agrícola de Jaboticaba, no território baiano do Piemonte da Diamantina, onde adquiriu conhecimentos técnicos e culturais para aplicar e replicar em sua comunidade. Divide o tempo com produções culturais à frente do grupo de jovens da comunidade de Melancia, que reúne cerca de 25 integrantes. Participa ativamente da realização das manifestações culturais locais, com vistas para a valorização da identidade local, tais como reisados, são gonçalos, saraus, rodas de cordel etc. Em 2021 vai coordenador o “II Cine Caatinga – Experiências Audiovisuais no Sertão”, que deverá selecionar até 50 curtas-metragens produzidos no Semiárido Brasileiro para serem exibidos numa plataforma específica, com premiação e realização de oficinas.

“Essa experiência contribuirá para a promoção do conhecimento e empoderamento de jovens negros e indígenas, oriundos da comunidade de Melancia, com vistas para a formação de processos autônomos de descoberta de potencialidades”