DEBATE 1 – TERRITORIALIDADES E A URGÊNCIA DE FAZER FILMES

Exibição

25 de agosto de 2020 às 20h

Sobre

Ocupar e ressignificar espaços, comportamentos e narrativas. É na urgência de fazer filmes como ferramentas de autonomia e de expressão que FILME DE DOMINGO e CONTE ISSO ÀQUELES QUE DIZEM QUE FOMOS DERROTADOS se encontram. São obras coletivas que exploram a intimidade dos corpos pertencentes aos territórios, que oxigenam os padrões cinematográficos, que questionam a centralidade no processo de descolonização da linguagem. Enfrentando as estruturas, os curtas representam a ocupação do cinema.
FILME DE DOMINGO (Lincoln Péricles, 2020, 28’, SP) é híbrido, espontâneo, sobre vivências e sobre símbolos ancestrais como suporte para a resistência às opressões. CONTE ISSO ÀQUELES QUE DIZEM QUE FOMOS DERROTADOS (Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo, Pedro Maia de Brito, 2018, 23’, BH/MG) mostra a luta por moradia em Belo Horizonte, construindo a memória social através de imagens de arquivo de 3 ocupações.
Além de dialogar sobre o processo criativo dos filmes, o debate será um espaço para a reflexão sobre territorialidades e a produção audiovisual; a contribuição de narrativas questionadoras e cotidianas para múltiplas ações; os meios de acesso aos equipamentos digitais; a percepção e a coletividade como estratégia.
Contaremos com a participação de Lincoln Péricles e Francineide Bandeira (FILME DE DOMINGO), Aiano Benfica (CONTE ISSO ÀQUELES QUE DIZEM QUE FOMOS DERROTADOS), Poliana Souza (moradora da Ocupação Eliana Silva e educadora popular), Preta Ferreira (Multiartista, abolicionista penal, ativista pelo direito à moradia no MSTC) e Manaíra Carneiro (realizadora e mestre em Cultura e Territorialidades – UFF). Mediação: Lorran Dias (Cineasta, artista visual e roteirista. Diretor e curador da TV Coragem).

Debatedores

Lincoln Péricles - Filme de Domingo

Nasceu e mora no bairro do Capão Redondo, periferia de São Paulo. É diretor, roteirista, montador e educador, somando mais de doze anos trabalhando com filmes produzidos em sua quebrada, que circularam entre cineclubes e coletivos periféricos, banquinhas de camelô, becos e vielas, e eventualmente em festivais nacionais e internacionais. Em fevereiro de 2020 teve seu trabalho destacado pela Cahiers du Cinéma, considerada a maior publicação de cinema do mundo, que descreve sua obra como “Um cinema longe do imaginário ligado as favelas, que inventa sua própria forma, áspera e necessariamente imperfeita, entre intervenção e arquivo visual do bairro”.

Francineide Bandeira - Filme de Domingo

Modelo, atriz e tradutora de inglês. Participou de campanhas importantes de empresas renomadas, e também legendando filmes estrangeiros para mostras e festivais de cinema. Atua em diversos coletivos na região do Capão Redondo, tais como “Rango de Classe” e “Basquete e Autonomia”. É atriz e roteirista no Filme de Domingo, onde teve sua primeira experiência de atuação para cinema.

Aiano Bemfica - Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados

Cineasta e militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Dedica-se a produção e circulação audiovisual junto ao movimento e pesquisa as interseções entre lutas sociais e as imagens realizadas no bojo destes processos. Dessa relação nasceram dois filmes, “Na Missão com Kadu” (2016) e “Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados” (2018), exibidos e premiados em mais 60 mostras e festivais no Brasil e no mundo. Atualmente, prepara o lançamento de três novos projetos construídos junto ao MLB: o curta “Videomemoria”, o longa “Entre Nós Talvez Estejam Multidões” e a vídeo instalação “Caminhará nas avenidas, entrará nas casas, abolirá os senhores”

Poliana Souza - Moradora da Ocupação Eliane Silva e educadora popular

Mãe, moradora da ocupação Eliana Silva em Belo Horizonte, feminista e educadora popular. Militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e da Unidade Popular, se formou no seio das lutas sociais e, desde 2012, se dedica a construir as pautas do direito à cidade, direitos das mulheres, educação e saúde. Acompanhou ao longo desses anos dezenas de ocupações urbanas na capital mineira, tendo contribuído para a consolidação de bairros e para conquistas de centenas de famílias na cidade.

Preta Ferreira - Multiartista, abolicionista penal, ativista pelo direito à moradia no MSTC

Janice Ferreira, é multiartista, comunicadora inata e de formação. É a mais velha dos oito irmãos. Na adolescência, veio da Bahia para São Paulo e, desde cedo, trabalhou para ajudar na complementação da renda familiar. Formada em publicidade, consolidou sua carreira na produção cultural. É também a autora e intérprete do single Minha Carne. Tem por missão “transformar o mundo, para o desenvolvimento cultural e econômico, a partir de pequenos grupos, com promoção da paz e justiça social”, pontua. Na Ocupação 9 de Julho, Preta organiza eventos culturais e socioeducativos, desde pesquisas acadêmicas, laboratórios, oficinas, shows e ações de saúde e lazer.

Manaíra Carneiro - Realizadora e Mestre em Cultura e Territorialidades - UFF

Nasceu em João Pessoa (PB). Se formou como roteirista pela escola de cinema Darcy Ribeiro (2006). Co-dirigiu o filme “5x Favela – Agora por nós mesmos”, exibido no festival internacional de Cannes e ganhador de diversos prêmios mundo afora. A cineasta também é Bacharel em Estudos de Mídia e mestra em Cultura e Territorialidades, ambos pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente, seu trabalho envolve a pesquisa de narrativas interativas e imersivas – principalmente em realidade virtual.

Lorran Dias - Cineasta, artista visual e roteirista. Diretor e Curador da TV Coragem

Seus trabalhos criam coletividades em torno do cinema e do vídeo, hibridizando as relações entre história e ficção, política e afeto. É diretor e curador da TV Coragem (2020), dirigiu e roteirizou Perpétuo (2018), exibido no Festival de Rotterdam entre outros títulos com o coletivo Anarca Filmes (2014-2019), do qual co-fundou. Co-dirigiu e co-curou o projeto Anti: Residência Fílmica Antifascista (2018), adaptando o modo de produção das residências artísticas para o cinema.
Trabalhou com curadoria desde 2014, passando pelo Cinerama Cineclube e suas mostras anuais até 2017, pela Semana dos Realizadores (2017-2020) e recentemente em residências artísticas. Recebeu o prêmio “Memórias da Resistência” do órgão “Verdade na Democracia – Mães de Acari” da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ (2018), “Melhor Curta” no Festival Visões Periféricas (2018) e foi homenageado no Festival Escuta do IMS (2019).
Para a indústria audiovisual atua desde 2015 com assistências de direção, roteiro e script doctoring. Seus últimos trabalhos em arte contemporânea foram incentivados pela 1ª edição do Programa Convida do Instituto Moreira Salles e o Critical + Creative Social Justice Studies and Research Excellence Cluster of the University of British Columbia.