SESSÃO 33 – AFETOS DA TERRA QUE HABITO

18 a 25 de maio de 2021

Curadoria

Bella Tavares
arte indígena - Cultua e Natureza

Sobre

“Eu sou cria do movimento cineclubista da Baixada Fluminense”. Ser cria desse movimento diz muito sobre os passos de Bella Tavares e do que ela deseja expressar através de sua arte. Falar sobre o corpo e território é uma de suas características. A sessão Afetos da Terra que habito foi tecida por Bella em soma com suas companheiras de caminhada audiovisual e luta ancestral.
De acordo com Bella, quando pensou na exibição dos filmes e debate seria essencial tecer um diálogo entre os afetos que carregava e a produção audiovisual/cineclubista em seu território, especificamente o cineclube Xuxu Comxis, nascido em Austin, bairro em que mora até hoje.
Outro passo significativo e que reflete em sua vida é a busca ancestral, sua família é de retirantes vindos da Paraíba e carrega também a descendência indígena de Pindorama. Nesse tecido espiritual e visual a historiadora destaca a conexão com a ancestralidade visual.
Em vista disso, no processo curatorial a cineclubista escolheu a exibição de três filmes que expressam essa conexão territorial, audiovisual e ancestral. Os filmes são: Nhamandu Mirin- Pequeno Sol, BXD Existe e Lina, com a participação coletiva das respectivas produtoras e diretoras audiovisual, Nati Lopes, Pamella Ohnitram e Mel Fremiot.
Cada obra possui sua especificidade, mas todas tem o poder de pensar o território como extensão de si. O documentário Pequeno Sol traz uma reflexão acerca da defesa do território, um recorte da luta indígena do povo Guarani Mbya no Jaraguá pela demarcação e cuidado da terra. Parte de uma luta que se estende por todo espaço nacional, a mãe do Brasil é indígena como diz Mirian Krexu.
Saibam que, para nós, a perda do território é falta de afeto, trazendo tristeza profunda, atingindo nosso espírito. O sentimento da violação do território é como o de uma mãe que perde seu filho. É desperdício de vida. É perda do respeito e da cultura, é uma desonra aos nossos ancestrais, que foram responsáveis pela criação de tudo. É desrespeito aos que morreram pela terra. É a perda do sagrado e do sentido da vida.
(Documento final da Marcha das mulheres indígenas, 2019, p.3)

Já a obra Lina se passa na periferia iguaçuana, o filme foi gravado em Austin, bairro de Bella e apresenta um forte diálogo sobre o amor, afeto e poesia no contexto da territorialidade e ancestralidade. E o videoclipe Bxd Existe vem para enaltecer a Baixada Fluminense por meio do fortalecimento da memória, através da arte e história, como diz a música de Adrielle Vieira e Tiago Tk que deu origem ao curta, “mais que resistência, nós é existência…”.

Filmes e debate

BXD EXISTE

3′ | 2021 | Nova Iguaçu (RJ)

Direção

Pamela Ohnitram

Classificação

Livre

PEQUENO SOL

10′ | 2021 | São Paulo (SP)

Direção

Natália Lopes e Caio Tupã

Classificação

Livre

LINA - trailler

2′ | 2021 | Nova Iguaçu (RJ)
Melise Fremiot

AFETOS DA TERRA QUE HABITO

25 de maio de 2021 às 20h

Debatedores

Pamela Ohnitram (BXD EXISTE); Natália Lopes (PEQUENO SOL); Mel Fremiot (LINA). Mediação: Bella Tavares (curadoria)

Classificação

Livre